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sábado, 29 de abril de 2017

Os falsos diamantes

Duas companhias concorrem para a construção de um troço de linha ferroviária.
Entretanto surge um pesquisador com um diamante. Dois homens forçam-no a dizer onde encontrou o diamante e todos os homens que trabalham para a companhia Worlk resolvem abandonar o seu trabalho e ir procurar os diamantes que parece ser possível encontrara em grande quantidade num dado local.
Red Hunslet e Perry Bromm, responsáveis pela boa execução da obra vão tentar demover os seus trabalhadores de tentarem encontrar diamantes e convencê-los a voltarem ao trabalho.
São agredidos e quando recobram os sentidos verificam que os famosos diamantes são falsos.
Quando regressam ao local onde se encontram acampados descobrem que tudo não passou de um golpe da companhia rival para que fossem afastados da construção da ferrovia
O episódio foi publicado na coleção FBI nº 248, sem indicação de autores


segunda-feira, 20 de março de 2017

O baile

A ação de O Baile decorre em 1967 antes da visita do papa Paulo VI a Portugal.
Para esclarecer a veracidade acerca das notícias da existência de estranhos fenómenos que parecem envolver o regresso à vida de pessoas que já morreram, é enviado um agente da PIDE ao local.
O silêncio e as meias palavras envolvem os habitantes locais, onde o padre e uma estranha mulher parecem ter um grande protagonismo no caso.
Quando a noite cai e a lua surge no céu o inspetor da PIDE tem oportunidade de confirmar a veracidade dos boatos e vê a sua vida a correr perigo.
Narrativa que caricatura a vivência de muitas comunidades fechadas nos tempos da ditadura, assim como a influência do clero nessas mesmas comunidades.
O argumento de O Baile é de Nuno Duarte e os desenhos de Ana Afonso.
Uma obra que rejuvenesce a banda desenhada portuguesa.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Jornada nos mares da China

Uma delegação parte de Malaca rumo ao Sião com o objetivo de pagar o resgate de portugueses feitos prisioneiros pelo rei desse país e estabelecer relações comerciais. A embarcação é comandada por Pero Sodré. No momento do embarque surge um cavaleiro, Nuno Tristão, que perdera quase tudo num naufrágio. Durante a viagem resgatam dois jovens irmãos portugueses, Manuel e Dulce de Sousa, feitos prisoneiros num junco chinês. Ao saberem que o responsável pelo cativeiro dos jovens fora Kuong-Sat, decidem ir em sua busca e atacarem o navio. Durante  a abordagem surge uma tempestade mas pero Sodré consegue salvar o barco.
Já no Sião, conseguem salvar a cidade de Bangkok de um poderoso pirata japonês, ganhando desse modo as boas graças do rei do sião.

Comentário
Episódio muito marcado por um patriotismo datado e muito associado à imagem que o Estado Novo pretendia transmitir. Em 1961 Portugal e teve que abandonar os territórios que ainda possuía na Índia. Na sequência surgiram várias publicações onde se louvava a presença de Portugal no Oriente. Este trabalho pode ser perfeitamente enquadrado nesse âmbito.

Artisticamente, é um dos bons trabalhos de Vitor Peon publicado pela primeira vez em 1962.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Indício fatal

A filha de um jovem casal que ficou milionário é raptada. O pai contacta a polícia enquanto aguardam instruções de quem raptou a criança. Quando essas indicações chegam ordenam que o dinheiro seja deixado num loca ermo, no meio da floresta. Apesar da vigilância que a policia efetua sobre o local, não vêm ninguém recolher o dinheiro. Perante a ausência do raptor vão recuperar o dinheiro, verificando então que este já não se encontra lá, mas apenas um bilhete com instruções para recuperar a criança.
No entanto o inspetor Poirier tinha deixado uma armadilha para raptor que acabaria por ser apanhado.

Trata-se de um curo episódio, sem indicação dos autores, publicado na revista P
olicial nº 38 em novembro de 1963.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

História sem herói

Na noite de 20 para 21 d abril de 1974 um voo de um avião comercial entre Brasília e o Panamá despenha-se na sela amazónica.
Toda a tripulação morre e ficam vivos 15 passageiros.
Sem saberem onde se encontram e sem saberem se houve algum pedido de auxílio antes da sua queda os passageiros tentam sobreviver numa selva hostil.
Os sentimentos mais altruístas e os mais mesquinhos sobem à superfície neste espaço totalmente aberto, mas que psicologicamente funciona fechado, pois ninguém consegue sair daquela floresta.
As desavenças e a tentativa de sobreviver a qualquer custo, mesmo sacrificando a vida dos outros, leva a algumas mortes, enquanto tentam construir um balão que os consiga retirar daquele local.
Ao fim de 15 dias o balão fica pronto, mas para que a viagem possa ter êxito, alguém terá que ficar para guiar o balão através das copas das árvores.
Excelente argumento de Van Hamme, para esta história publicada na revista Tintin, edição belga, do número 24 ao 32 no ano de 1975. os desenhos são de 

Em Portugal a revista Tintin fez a publicação deste episódio entre 1 de abril e 2 de setembro de 1978, do número 46 do 10ºno ao 16 do 11º ano.

sábado, 23 de julho de 2016

Cor de café

Uma história que percorre vários locais: Liége, Bruxelas, Marselha e o Congo.
Uma investigação sobre o contrabando de armas para aquela que era, na época em que decorre a ação, uma colónia Belga.
Essa investigação é feita por por Hermann e Lloyd, com a ajuda de uma inspetora dos serviços aduaneiros, Lupa, e Pierre, que surge inicialmente como motorista de Lloyd, mas que desconhece o papel dos vários intervenientes na investigação.
A ação prende o interesse do leitor conduzindo-o ao longo de um mistério que vai deixando sempre algumas questões para responder.
Partindo de uma boa ideia, e desenvolvendo a trama de forma clara, o episódio chega ao final complicando tudo, não se percebendo, como surge a investigação de Hemann e Lloyd, quem é que eles são e que interesses os movem.

O desenho é Philippe Berthet e o argumento de Antoine Andrieu.





sábado, 16 de abril de 2016

Lenda e realidade de Casque d'Or

A obra relata uma história passada no início do seculo XX em Paris, envolvendo lutas de bandos e Amélie, uma prostituta loura. É o relato do percurso de Amélie, da sua vida de miséria, da esperança de vida melhor, de ilusão no amor e da sua resignação.
Publicado em 1976, foi o primeiro álbum de Annie Goetzinger, que até essa altura apenas tinha feito algumas histórias curtas. O álbum fez grande sucesso e mostrou uma desenhadora de talento com planificações de página muito interessantes.

No festival de Angoulême, o álbum, em 1977, ganhou o Prix œuvre réaliste française.

segunda-feira, 14 de março de 2016

A ilha da utopia

Uma caravela portuguesa, em viagem da Mina para Portugal, é apanhada por uma tempestade junto a Cabo Verde. Quando amaina a tormenta encontram-se numa terra desconhecida. Alguns homens vão a terra em busca de água e alimentos, mas são atacados pelos indígenas, armados de arco e flechas. Regressam ao barco, que pela falta de vento não consegue sair de onde se encontra.
Os indígenas acabam por atacar o barco, mas o aparecimento do vento acaba por permitir que alguns dos portugueses sobrevivam. Um mar sem vento e um barco que mete água, leva à morte por doença dos marinheiros, apenas sobrevivendo o primeiro piloto que chega aos Açores, onde encontra Cristóvão Colombo e a quem narra a sua aventura.


Episódio desenhado por Vicente Segrelles em 1992 e publicado no nº 2 da revista Selecções BD em dezembro de 1998

sábado, 2 de janeiro de 2016

Orchidea

Poderíamos chamar a esta história um road-comic, por semelhança aos designados road-movies.
Três irmãos juntam-se para irem ao encontro do pai que festeja os 80 anos. Ellsworth é um cientista reformado que vive num lar. Quando os irmãos chegam, recebem a notícia que o pai partiu e decidem ir procura-lo.
Segue-se o relato da viagem pelas estradas norte-americanas, em que os três irmãos se redescobrem, e o reencontro com o pai com a sua imensa vontade de viver.
Excelente narrativa de Cosey, que embora fuja ao seu tradicional registo ecologista, mantém bem evidente o apego à liberdade de cada um enquanto indivíduo.

O desenho, como sempre, é excelente.





sábado, 18 de julho de 2015

O Bobo

O Bobo é um drama de amor escrito por  Alexandre Herculano,  localizado nos tempos da formação de Portugal e nas intrigas que se teciam entre os nobres da época no Castelo de Guimarães e localidades próximas.
A primeira adaptação que José Ruy fez da obra foi publicada na revista Cavaleiro Andante entre o número 249, de 6 de outubro de 1956, e o número 308, de 23 de novembro de 1957,  com legendas sob os desenhos e sem balões. Na década de 80, José Ruy reformulou o trabalho, colocando-lhe balões. Essa publicação foi feita a preto e branco na revista Selecções BD entre setembro de 1988 e março de 1989..
Nesse mesmo ano de 1989 foi publicada a versão a cores em álbum.


Cavaleiro Andante

Selecções BD

Álbum



sábado, 11 de julho de 2015

O Raio U

Em 1943, durante a ocupação alemã da Bélgica, a série Flash Gordon, de origem norte-americana, foi proibida. Edgar Pierre Jacobs foi encarregado de terminar a aventura que estava em publicação desta série.
Após o fim dessa história iniciou uma história de sua autoria, O raio U, que em parte se inspira na série criada por Alex Raymond, até porque se pretendia aproveitar o sucesso que Flash Gordon tinha, mas onde vamos encontrar alguns dos elementos que viriam a marcar presença na sua grande criação: a série Blake Mortimer.
A fisionomia de alguns personagens, algumas paisagens  e animais pré-históricos são elementos que marcam este álbum e veremos mais tarde em episódios de Blake e Mortimer.

A primeira versão de Raio U não tem diálogos, ao contrário da reproduzida neste álbum, trabalhada por Jacobs na década de 70. 

sábado, 18 de abril de 2015

Cinzas da revolta

O tema da guerra colonial poderia ser uma fonte de inspiração par os autores portugueses, mas  não é com frequência que a banda desenhada o aborda. Numa temática que poderia ser aprofundada em termos do durante, fosse da perspetiva dos que lá viviam ou dos que que tinham que ir combater, ou do após, com os traumas de um retorno forçado, são raras as incursões neste campo da história portuguesa.
O argumento de Cinzas da Revolta, da autoria de  Miguel Peres remete-nos para o início da guerra, mostrando a violência dos primeiros ataques aos brancos e a posterior resposta também violenta das tropas portuguesas, quando uma jovem é poupada à morte e convertida à guerrilha. Em torno dessa rapariga existe um mistério, que faz com que um grupo de militares, dois anos mais tarde, tenha como único objetivo libertá-la.
O desenho, de Jhion (João Amaral) é realista, conseguindo evidenciar a violência da guerra e os sentimentos dos intervenientes de forma contida. Mostrando a violência, os desenhos conseguem mostrar em primeiro plano os sentimentos.

Uma obra que merece ser lida.


sábado, 10 de janeiro de 2015

Rugas



 Este livro narra uma história sobre o envelhecimento, sobre a velhice com Alzheimer e sobre as relações familiares intergeracionais.
As personagens são quase todas idosas, mas não é isso que as torna monótonas ou com caraterísticas iguais. São seres todos diferentes, com o seus anseios, os seus sonhos e os seus medos.
Quando surgem personagens mais jovens, o objetivo é evidenciar o relacionamentos familiares entre as gerações, a forma como os velhos são tratados e as condicionantes dessas relações.
Rugas evidencia-se pelo guião que é de grande qualidade. Com um desenho simples, Paco Roca conseguiu fazer boas combinações narrativas, onde texto e imagem se fundem numa mensagem única, usando as diferentes tonalidades para ritmar a narrativa e as mudanças temporais ou de cenário, nunca deixando que o leitor se entusiasme com as imagens e esqueça o texto.

Uma banda desenhada adulta, feita para um público adulto, mas que todos compreendem.

sábado, 18 de outubro de 2014

Portugal



Esta é uma daquelas obras obrigatória em qualquer biblioteca. É uma obra onde o argumento é muito bom, os desenhos excelentes e o grafismo que funde os três elementos, cor, desenho e argumento é de uma qualidade notável.
Pelo texto percebe-se a emoção.Depois compreendemos que cada emoção tem a sua cor e  à medida que nos entranhamos na obra, já não necessitamos do texto para perceber a emoção. Basta ver a cor.
Simon Muchat, com origens portuguesas, é um autor de banda desenhada que vive em busca da sua identidade.
Numa viagem a Portugal, na interação com um primo e com os ambientes em que se insere, consegue perceber as razões das suas incertezas, conhecer os  acontecimentos ocorridos em Portugal que moldaram os caráteres  do seu pai e do seu avô e desse modo fazer a introspeção que lhe indica o seu caminho.
Esta é a história que Cyril Pedrosa, também ele com ascendência portuguesa, narra de forma cativante e poderosa.
Portugal pode ser  o país onde talvez não seja possível apreender todas as emoções que o autor pretende passar ao leitor, uma vez que as frases que são ditas em português,  que o leitor deveria ter como incompreensíveis, tal como a personagem de Simon Muchat as ouve, são entendíveis pelo leitor de língua portuguesas, perdendo-se a emoção que o Cyril Pedrosa pretende transmitir.





sábado, 9 de agosto de 2014

Mataram o rei!... Viva a républica!



1890. Dois irmãos, João e Madalena, chegam à estação do Rossio, vindos do Porto. Logo à saída têm um encontro, com Manuel de Sousa, que irá condicionar os seus futuros,
Os dois atravessarão os acontecimentos que levarão, primeiro à morte do rei D. Carlos e depois à implantação da républica.
Os diferentes percursos dos irmãos, relatam também duas visões diferentes dos factos. De um dos lados, o republicano João, com as suas ligações à Carbonária,   e do outro Madalena que se transforma numa das amantes do rei.
José Ruy apresenta uma interessante forma de narrar os fatos históricos, dando-lhe precisão, mas acrescentando valor ficcional ao relato.


sábado, 24 de maio de 2014

Griffu



Uma história policial desenhada a preto e branco, num registo que se aproxima do designado policial negro, com muitos escritores dos Estados Unidos a usarem o estilo, mas também com alguns seguidores de qualidade em França. 
A ação decorre em Paris num meio onde a corrupção e o crime organizado dominam e onde o leitor segue Griffu por uma história onde a violência, o crime e o sexo percorrem caminhos que se entrecruzam.
Um excelente argumento de Manchette, ilustrado de modo extraordinário por Tardi.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

relendo... ao acaso: Libell



Título
Llibel

Autores
Desenho: Roberto Bonadimani

Dados sobre o episódio
Título original: Libell
Publicação original: revista Il Mago nº 79 ( Itália)
Data da publicação original: março de 1979
Leitura: revista Riquiqui nº 6
Data da edição: 5 de julho de 1979
15 páginas7 p/b
Resumo
O robô Androckss 314 pousa no planeta Llibell e procura um qualquer habitante de Wanack. Enci, uma humana, e o seu robô conduzem-no ao porto franco, onde talvez se encontre algum Wanack. Durante o caminho mostram a Androckss 314 a beleza do planeta e dos sentimentos.
No porto, o Wanack presente é um comerciante que acaba de ser preso por venda de mercadoria defeituosa. O Wanack reconhece o robô como sendo um robô de guerra, que tem que obedecer a ordens, e faz chantagem com os habitantes de Llibell para que o libertem ou o robô fará explodir as 3 bombas nucleares que possui. O Wanack é libertado, mas já a bordo da sua nave ordena ao Androckss 314 que largue as bombas em Llibell. O robô confronta a informação que recebeu em Libell com as ordens e decide desobedecer.

Comentário
Uma argumento alegórico, sobre as relações homem-máquina e o planeta Terra. Esta história faz muito mais sentido na época em que foi escrita, a meio da década de 70 do século passado, em que os Estados Unidos e a União Soviética aumentavam o número de misseis nucleares que apontavam para o outro lado. O desenho não é muito nítido, talvez devido a má impressão, mas a organização gráfica das páginas é interessante.