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domingo, 25 de maio de 2025

A BD e a guerra: Resistances

 

Resistances é uma série constituída por quatro episódios. O primeiro foi publicado em 2010 e o derradeiro em 2014. O desenho é da autoria Claude Plumail e argumento de Jean-Christophe Derrien.

A ação decorre em França durante a segunda guerra mundial no ambiente da resistência francesa. É um retrato da luta contra a ocupação e das suas contradições. Centra-se no envolvimento de três personagens, cujos caminhos não são sempre coincidentes, naquilo que replica um retrato das várias resistências que existiam na França ocupada.

André, Louis e Sonia são as personagens que cruzam aquele tempo, com os seus amores, os seus conflitos e as suas lutas coletivas e pessoais, evidenciando os sofrimentos pessoas e os coletivos de uma nação.

Os quatro episódios  têm por título:

1 – L’ Appel

2 – Le Vent mauvais

3 – Marianne

4 – Le prix du sang e des larmes




quinta-feira, 17 de abril de 2025

A BD e a guerra: Operação Overlord

 

Esta série teve publicação original entre 2014 e 2019, com a edição em língua portuguesa a ocorrer em 2020.

É composta por seis álbuns autoconclusivos dedicados a explorar vários aspetos da invasão do continente europeu pelas tropas aliadas, no que se costuma referir como dia D. Cada episódio baseia-se em factos verídicos, mas usando personagens de ficção, deixando por vezes no leitor a dúvida entre o real e o ficcionado, quando não se conhece muito a verdadeira história dos factos que então ocorreram. A série acaba por mostrar como a fronteira entre o sucesso e o fracasso é muito ténue, e como as pequenas decisões podem mudar, de modo inesperado, o caminho da história. A tentativa de mostrar decisões e interpretações de intervenientes dos dois lados do conflito ajuda a perceber melhor o modo como a história do mundo mudou tão drasticamente em tão poucos dias.

A série é composta por:

Sainte-Mère-Eglise

Desenho: Davide Fabbri

Argumento: Michael Le Galli

Cor: Domenico Neziti



Omaha Beach

Desenho: Christian Dalla Vechia

Argumento: Fabrizio Faina

Cor: Diogenes Neves



A bateria de Merville

Desenho: Davide Fabbri

Argumento: Bruno Falba

Cor: Domenico Neziti



Comando Kieffer

Desenho: Davide Fabbri

Argumento: Bruno Falba

Cor: Domenico Neziti



A ponte de Hoc

Desenho: Christian Dalla Vechia

Argumento: Bruno Falba

Cor: Davide Fabbri



Uma noite no Berhof

Desenho: Davide Fabbri

Argumento: Bruno Falba

Cor: Dario Grillotti



terça-feira, 26 de novembro de 2024

A BD e a guerra: Malgré nous.

 Esta série é mais uma das que tem tentado mostrar a II guerra mundial sob a perspetiva de quem combateu do lado alemão. Acresce que neste caso se trata de um militar forçado a combater pelas tropas alemãs. Natural da Alsácia, , com toda uma componente cultural francesa a ocupar-lhe a sua maneira de ser, é obrigado a lutar pela nação que ocupou a França e mantém milhares de franceses prisioneiros.

É assim que esta banda desenhada retrata o que sucedeu a muitos dos jovens alsacianos que ficaram conhecidos sobre o termo de “malgré nous” numa designação que pretende caracterizar o seu sofrimento.

Como todas as séries de guerra surgidas nos últimos 20 a 30 anos é muito realista não escondendo as consequências humanas dos combates nem a violência dos atos praticados.

A serie teve quatro álbuns publicados entre 2009 e 2013. Não foi dada como concluída mas não surgiu mais nenhum episódio posteriormente.

O argumento pertence a Thierry Gloris e o desenho, assim como a coloração a Marie Terray.

Os álbuns publicados foram Elsaß, Ostfront, Germânia, e Alsace.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2024

A BD e a guerra: Les Tiges Volants

 

Entre 1994 e 2000 foi publicada a série Les Tigres Volants. Os seus autores foram os franceses Richard D. Nolane, no argumento, e Felix Molinari, no desenho.

A série, da qual saíram cinco álbuns, narra as aventuras dos pilotos norte-americanos que na esquadrilha Tigres Voadores combatiam no extremo oriente as tropas japonesas, sob as ordens dos chineses.

Abordando um tema não muito frequente na banda desenhada europeia, a II guerra mundial no extremo oriente, torna-se uma série interessante de ler, apesar de Felix Molinari não ser um desenhador de qualidade muito elevada. Realce para algumas vinhetas interessantes batalhas aéreas.

Os cinco álbus foram Raid sur Rangoom, Mission à Singapour, Tonarre sur le Yang Tse, Etoile rouge e Opération “Homme de Pékin”.


domingo, 10 de março de 2024

Juventude e Acção nº 1

 Juventude e  Acção  foi uma revista que não teve uma vida muito longa. Publicada entre 1976 e 1977, com periodicidade quinzenal, terá durado , possivelmente, 24 números, ou seja, cerca de meio ano.

Era dirigida ao público feminino, pois as séries eram protagonizadas por raparigas ou mulheres jovens.

O primeiro número apresenta o episódio Linette e a Imprensa Secreta, e é protagonizada por uma jovem que colabora com a resistência francesa durante a ocupação alemã que ocorreu na II Guerra Mundial

O episódio pertence à série Linette Lenoir e tem episódios publicados na revista Shirley.



domingo, 26 de novembro de 2023

Guerra n.º 1

 Guerra foi uma coleção duradoura. Sendo mais uma das revistas Aguiar& Dias, variou entre a as periodicidades mensal e quinzenal. O primeiro número, ao preço de 2$00, saiu em 27 de fevereiro de 1962 e terminou em dezembro de 1986.

 Dedicava-se a publicar episódios bélicos, designadamente da II Guerra Mundial, com desenhadores de vários países, mas com propriedade de revistas inglesas.

O primeiro número tem dois episódios, sem indicação de autor, como era costume, nos trabalhos deste tipo vindos de Inglaterra. O primeiro situa-se na retirada de França, no regresso de um grupo militar escocês e nos sentimentos que os franceses tinham sobre esses militares. O segundo é um história de aviação.



quinta-feira, 2 de novembro de 2023

A BD e a guerra: Unidos pelo combate

 


No número 82 da coleção Guerra, de 25 de novembro de 1969, uma das histórias publicadas, sem indicação dos autores, chama-se Unidos pelo Combate.

É uma argumento fraco, algo ingénuo, que mostra a camaradagem que sobrevém do facto de as pessoas lutarem juntas. Dos laços que se criam com necessidade que surge de se protegerem uns aos outros e de que a vida de cada um depende da vida do companheiro.

Um trio de amigos perde um elemento e fica sem vontade de lutar, colocando em risco, pelas suas atitudes aqueles que com eles combatem.

Mas o amigo que eles julgavam morto acaba por reaparecer em Itália e tudo se modifica, com uma nova energia que surge daquele reencontro e a capacidade de enfrentar todas as adversidades.

A revista tem dois episódios, mas apenas este é aqui referido. O desenho da capa parece ser, por semelhança de estilo, da autoria de Carlos Alberto.


segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Baú das revistas: Coleção Combate

 

Revista

Combate 127

 

Características

Preço: 6$00
Dimensões: 120 mm x 162 mm
68 páginas ( incluindo a numeração da capa)
Data da edição: 1974
Distribuição: Electroliber, Lda
Capa a cores
Interior a preto e branco

 


Conteúdo

Capa:
Imagem referente ao episódio


Capa interior:
em branco


Página 3:
Um inimigo activo


Página 66:
Ficha técnica


Contracapa interior:
Em branco


Contracapa:
Publicidade às coleções Pop, Apache e Histórias do Oeste



domingo, 10 de setembro de 2023

A BD e a guerra: Ese grito

Ese grito é um episódio passado no contexto da II Guerra Mundial desenhado por Sergio Toppi, com argumento de Piero Selva, pseudónimo de Mino Milani, e publicada na revista Blue Jeans número 5.

Trata-se de um episódio com oito páginas, com intervenientes pouco comuns em episódios sobre este conflito bélico: um grupo de soldados italianos em 1941 em pleno inverno russo. O episódio relata o modo como os italianos em retirada vão conseguindo resistir ao avanço russo sobre um rio gelado.

Excluindo a raridade dos intervenientes o argumento é demasiado meloso para uma situação de vida e morte, onde de cada um dos lados se sabe qual o adversário que acabará exterminado.

O estilo único de Toppi marca o desenho do episódio.

sábado, 3 de junho de 2023

A BD e a guerra: El comando solitário

Foi publicada no número 62 das Obras Completas de Boixcar, sendo este o autor do desenho e argumento. Foi publicado em 26 de janeiro de 1968.

É a primeira de três histórias publicadas nesta revista de formato pequeno, ocupando 27 páginas. Narra um episódio da segunda guerra mundial.

Trata-se de um militar inglês que tomou uma falsa identidade, cometendo uma série de atos de heroísmo, que conduziram a uma absolvição do seu ato de usurpação num julgamento em tribunal militar.

Argumento muito confuso, característica típica da época, na banda desenhada espanhola, que produzia episódios em catadupa da segunda guerra mundial.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

A BD e a guerra: Cuto em Nápoles

 

Cuto é uma personagem criada pelo espanhol Jesus Blasco em 1935.

Durante toda a sua existência a personagem surge com uma idade indefinida que se repercute no tipo de episódios que protagoniza. Neste, temos Cuto como um jovem adulto que acompanha a entrada da marinha dos Estados Unidos, durante a segunda guerra mundial, quando os aliados reconquistaram esta cidade às tropas alemãs.

A segunda guerra mundial serve de contexto para esta aventura do Cuto, envolvido por regra noutros ambientes mais misteriosos e menos bélicos.

Em Portugal este episódio teve três publicações. Na revista Gafanhoto, em 1948, na década de quarenta, na revista Jaguar, em 1971 e na revista Almanaque O Mosquito, em 1985.

A publicação original deste episódio ocorreu em Espanha na revista Chicos, no Almanaque, em 1947.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

A BD e a guerra: O ultimo duelo

 

Este episódio foi publicado no número 20 da coleção combate.

A ação desenrola-se em território belga durante a retirada das tropas inglesas, em 1940, rumo a Dunquerque, onde as esperavam o embarque para a Grâ-Bretanha.

É narrado o cerco de um grupo SS alemão a um pelotão de soldados ingleses.

Mas os homens que comandam ingleses e alemães apesar de não se conhecerem pessoalmente têm um historial de conflitos nas suas famílias que provém desde tempos medievais.

Os passados familiares dos comandantes dos dois lados cruzam-se, levando a um estranho duelo, travado em condições desiguais e nos quais o vencido não aceita as condições acordadas anteriormente.



sexta-feira, 8 de abril de 2022

A BD e a guerra: La máscara del terror

Episódio publicado no nº 3 da revista espanhola Alto Mando em 30 de julho de 1964. O episódio não tem indicação dos autores.

Narra acontecimentos que decorrem na II Guerra Mundial em território italiano, na frente de combate entre ingleses e alemães.

Um oficial alemão chefia um grupo de comandos que tem feito vários ataques bem sucedidos contra as tropas inglesas, que tudo fazem para o apanhar.

O grupo que tenta apanhá-lo, sofre alguns contratempos, e é um escriturário, o cabo willis, que reclamava do tempo passado na guerra sem disparar um tiro, que acaba por ter um papel fundamental na eliminação do grupo alemão.

sábado, 26 de março de 2022

Relendo...ao acaso: Guerra

Episódio
Momentos de perigo

Série


Autores


Dados sobre o episódio
Publicação original: Commando (Inglaterra)
Leitura: Guerra nº 302
Edição: 11 de janeiro de 1984
62 páginas/ p/b
 
Resumo
John Harper um piloto sobrevivente em três eventos, em que todas as suas tripulações tinham morrido, é colocado num novo avião.
Um dos tripulantes, irmão de um membro de uma das antigas tripulações de John Harper não perdoa o seu novo comandante, e quando a oportunidade lhe surge, após terem sido abatidos sobre o atlântico, abandona o comandante à sua sorte, dentro do avião abatido.
John Harper é feito prisioneiro por um barco alemão disfarçado de pesqueiro francês, mas é a sua intervenção que acaba por permitir que a tripulação do seu avião, que navegava num bote salva vidas, não seja abatida pelos alemães.
 
Comentário
Impressão de má qualidade.

quinta-feira, 17 de março de 2022

A BD e a guerra: Garry

Garry nasceu com a revista do mesmo nome e designa o protagonista de uma série cujo cenário de ação é a II Guerra Mundial.
Os episódios localizam-se no Pacífico e no continente asiático, sendo uma criação de Felix Molinari, no desenho, e do argumentista Robert Bagage. Iniciada em 1948, durou até 1986, sendo a maioria dos episódios desenhados por Molinari, enquanto que os argumentistas foram mais variados.
Apesar do principal cenário de atuação de Garry ser no oriente, também surgem alguns episódios localizados na Europa.

Capas de duas revistas
 



Imagens de um álbum de recolha das edições Soleil






sábado, 8 de janeiro de 2022

A BD e a guerra: Rapoutitsa


Rapoutitsa é um álbum de 1989 com argumento e desenho de Dimitri (Mouminoux)
A história mostra uma faceta pouco conhecida da II Guerra mundial. A guerra na União Soviética.
Após a derrota dos alemães em Estalinegrado milhares de alemães são feitos prisioneiros e conduzidos para campos debaixo de um inverno rigoroso. É uma história sobre a violência que caiu sobre os prisioneiros e os milhares de morte que ocorreram.
Álbum que tem que ser lido com um ponto de vista crítico. Falta o outro lado da história: o que os alemães fizeram aos russos antes de se dar a inversão de posições no campo de batalha da Rússia. Só assim se pode entende e ajuizar o que é descrito neste álbum.

sábado, 4 de dezembro de 2021

A BD e a guerra: Operación Muerte


Álbum publicado em Espanha em 2010, da autoria do japonês Shigeru Mizuku.
Com alguns aspetos biográficos, mostra um retrato da II guerra mundial visto do lado japonês. Uma visão raramente apresentada. Uma perspetiva diferente que mostra as atitudes, os sentimentos e os receios dos soldados japoneses, inicialmente num ambiente que parece pacífico, numa ilha isolada, e depois no contexto da invasão pelas tropas dos Estados Unidos.


quarta-feira, 26 de maio de 2021

A BD e a Guerra: Marouf


Gerard d’Henrimont  é um jovem aristocrata francês, ferido em combate em 1940. Na sequência do ocorrido, fica paraplégico, retornando ao seu castelo onde vive com mãe.
A invasão de França pelos alemães traz a ocupação do seu castelo pelo general Von Fundernach. Tentando a humilhação do jovem, os alemães atiram a cadeira de rodas onde este passava a maior parte da sua vida, por uma escadaria abaixo.
Esse acidente possibilita ao jovem Gerard, recuperar os movimentos. Oculta a sua cura e disfarçado de Marouf, um seu antepassado do século XVII, inicia a luta contra os ocupantes, que nunca desconfiam de quem é o seu inimigo.
A série foi publicada em França na revista homónima da série entre fevereiro de 1969 e junho de 1986.
Em Portugal chegou a existir em 1976 uma revista dedicada à série. Houve no entanto na revista Aventuras do FBI.
Série francesa, parara exorcizar os “demónios” que à época ainda marcavam os franceses no que se refere à sua atitude durante a ocupação alemã.

Primeiro episódio, na publicação chilena Agente Silêncio nº 1, em 1970

Na revista Marouf (França) nº 11

Em Aventuras do FBI nº 289

sábado, 17 de abril de 2021

A BD e a Guerra: Lady Spitfire


Laure Chevalier é a filha de um antigo piloto combatente na guerra 1914-18.
Fugida para França, após a invasão nazi, acaba por, de forma secreta, conseguir pilotar m caça britânico.
Lady Spitfire é uma série de 4 episódios, publicada entre 2012 e 2014, com autoria de  Maza nos desenhos e com argumento de Sébastien  Latour.

Episódio 1: La fille dde l’air
Episódio 2: Der Henker
Episódio 3: Une pour tous e tous pour elle
Episódio 4: Desert Air Force

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Análise Crítica: Shanghai Dream

 


Obra: Shanghai Dream
Título original: Exode 1938 e À la mémoire d’Illo,
Argumento: Philippe Thirault
Desenho: Jorge Miguel
Cor: Delf
Editora: A Seita/ Arte de Autor
Tradução: Sandra Alvarez
Data da Edição: 2020
Álbum cartonado: 120 páginas; 104 de banda desenhada
ISBN: 978-989-54880-1-8
Preço: 24,00 €
Dimensões: 221 x 293 mm

 Análise

Esta obra Shanghai Dream junta num único volume os dois livros que compunham a edição original: Exode 1938, publicado em 2018 e À la mémoire d’Illo, em 2019. Cada um dos volumes tem 52 pranchas.

O argumento funda-se no exilio a que a comunidade judaica alemã se vê forçada para fugir à perseguição movida pelos nazis, sem, ainda na época, 1938, poder imaginar o que lhe viria a suceder no futuro. Nesse exilio ocorre a separação de um casal: Illo, que escreveu o guião para um filme, e o seu marido Bernhard que tudo fará para conseguir realizar esse filme.

É um argumento onde fica visível a forma como a ideologia nazi mudou a personalidade de muitos alemães, o modo como, apesar da aliança bélica, Japão e Alemanha tinham perspetivas diferentes sobre os judeus, e a violência que os japoneses exerceram em território chinês, a exemplo de todos os outros locais que ocuparam.

Sobre o argumento do filme, que guia o modo como Shanghai Dream se desenvolve, não se sabe muito, não se consegue perceber a sua proclamada excelência nem são muito evidentes as suas características de comédia, embora sejam relatadas pequenas cenas cujo objetivo será provocar a gargalhada.

Se nas suas linhas gerais o argumento é bom, falha nos pormenores: não são bem definidas e completadas algumas das sequências narrativas; demasiada facilidade com que determinadas situações ficam resolvidas num contexto tão complexo.

O primeiro volume tem um argumento mais coeso que o segundo. Toda a história contada no segundo volume merecia um maior desenvolvimento, que talvez exigisse ser narrada em duas partes distintas, permitindo conhecer melhor algumas personagens, que entram e saem quase só para fazer número, e desenvolver melhor a relação entre Lin Lin e Bernhard. Toda a relação se desenvolve de um modo platónico que termina numa felicidade, que foi o caminho mais fácil para terminar rapidamente a história.

Não sendo um mau argumento, até porque do ponto de vista histórico está bem fundamentado, há alguma leveza nas características psicológicas das personagens e no surgimento de saltos narrativos que apressam a ação central do livro.

Este tema, associado aos judeus no extremo oriente durante a II Guerra Mundial, até por não ser muito conhecido, merecia e devia ser melhor desenvolvido.

O desenho é de boa qualidade, embora nem sempre as expressões faciais sejam bem tratadas quando pretendem expressar emoções. Há algum desequilíbrio neste aspeto. Jorge Miguel por vezes retrata muito bem o que sentem as personagens, outras vezes coloca-as com um rosto em que se evidencia desespero ou espanto, quando não há uma emoção deste tipo de modo evidente, seja no texto, seja na ação. Quando pretende que as emoções sejam mesmo patentes, o autor recorre a grandes planos do rosto, que nessa situação ficam bem caraterizados

Ao longo de toda a obra Jorge Miguel não recorre a vinhetas gigantes, mesmo quando pretende ilustrar planos gerais, São muito poucas as vinhetas que ocupam um terço ou um quarto das pranchas. Todas têm uma área menor.

As pranchas encontram-se organizadas de modo muito clássico, com as vinhetas emolduradas e separadas por espaços em branco. São reduzidíssimas as exceções; seja a vinheta sem moldura ou a vinheta sobreposta a outras.

Os símbolos cinéticos e as onomatopeias são recursos que os autores utilizam, de um modo adequado. Surgem quando os fenómenos que pretendem evidenciar são mais relevantes no fluir narrativo.

Para se entender o enredo é necessário ler o texto e observar o desenho o que é um sinal que esse está perante uma narrativa gráfica em que o texto e desenho se complementam e cada um deles isolado não consegue contar a história.

Nas vinhetas associadas ao filme existem legendas que se enquadram perfeitamente no contexto. Nas restantes vinhetas, as legendas, que são reduzidas, têm apenas a função de localizar a ação no espaço e no tempo, permitindo identificar os lugares e o momento em que a ação decorre.

Os cenários são bem trabalhados. Há elementos descritivos no fundo das vinhetas, tornando-as uma leitura visual interessante e demonstrando trabalho por parte do autor, assim como uma eficaz pesquisa sobre os elementos cenográficos associados àquela época na Alemanha e, principalmente, em Xangai.

As cores usadas apresentam tons suaves, não desviando a atenção da narrativa. A opção de apresentar as cenas do filme, sejam elas as reais ou apenas as imaginadas, a preto e branco, permitem que seja possível discernir muito bem as vinhetas que narram a história principal e as que narram o filme.

O livro apresenta no seu interior a capa do segundo volume original, que não foi escolhida para capa desta edição, o que é um elemento que lhe acrescenta valor. O mesmo sucede com a inclusão de um pequeno caderno gráfico, onde o desenhador faz referências à forma como construiu algumas das personagens e se documentou para desenhar uma história de época.

Também não faltam, no final no livro, uns breves elementos biográficos sobre cada um dos autores. Sobre estes, refira-se que Jorge Miguel, não sendo um completo desconhecido, não é um autor muito publicado no mercado nacional, onde se salienta O Fado ilustrado, constituindo uma surpresa este seu surgimento numa edição internacional. Espera-se que se repita a publicação de trabalhos seus. O desenho demonstra qualidade, espera-se que lhe possa surgir um argumento melhor trabalhado, e que ele tente um maior arrojo na ilustração.

Conclusão

Livro a ler, não por ser de um autor português, mas por se bem desenhado e o argumento abordar uma temática rara e bem trabalhada na caracterização histórica.