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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Efeméride: Yves Senté

 Faz hoje 60 anos que nasceu, 17 de janeiro de 1964, o autor Yves Senté.

Capa de álbum de Blake e Mortimer com argumento de Yves Senté

domingo, 24 de dezembro de 2023

Relendo ao acaso: O enigma da Atlântida

 

Episódio

O enigma da Atlântida

 

Série

Blake e Mortimer

 

Autores

Desenho: Edgar Pierre Jacobs
Texto: Edgar Pierre Jacobs

 

 

Dados sobre o episódio

Leitura: O enigma da Atlântida (Álbum)
Editora: Maribérica/Liber
Data da publicação: 1982
62 páginas/ cor
Título original: L’enigme de l’Atlantide
Publicação original: 1955-1956 na revista Tintin (Bélgica)

 

Resumo

Mortimer foi de férias para os Açores, mas a descoberta de um estranho metal, leva-o a chamar o seu amigo Blake. No entanto o seu inimigo Olrik conseguiu ficar no conhecimento da descoberta e também se

apresenta no local. Mortimer e Blake mergulham nas águas da Lagoa das Sete Cidades e encontram-se num mundo subterrâneo habitado pelos descendentes dos Atlantes. Claro que Olrik vai querer vingar-se de Mortimer e ficar a ganhar coma descoberta.

 

Comentário

Este episódio tem a curiosidade de se iniciar em território Português, mais concretamente na ilha de S. Miguel. Fica também a nota de não se verem personagens femininas. Excetua-se uma figurante que surge em plano afastado logo nas primeiras vinhetas, quando Blake desembarca no aeroporto.


segunda-feira, 24 de abril de 2023

Baú das resvistas: Cavaleiro Andante

 

Revista

Cavaleiro Andante n.º 101

 

Ficha Técnica

Data da publicação: 5 de dezembro de 1953
Publicação semanal.
Dimensões: 190mmx260mm
Preço: 2$00
20 páginas (a capa é a página 1)
Diretor: Adolfo Simões Müller
Editor: Mário  Nunes de Carvalho
Propriedade: E.N.P. (Empresa Nacional de Publicidade)

 

Conteúdo:

Capa (página1):
O Filho do Filibusteiro. Episódio em continuação desenhado por Mathelot. Colorido.

Página2:
Ficha Técnica
Tu Cá Tu Lá Com o Leitor. Página de correio
Ficha Técnica
Anuncio de alterações na revista


Página 3:
20 000 volts da autoria de Ferrari (história em continuação). Página colorida três cores


Página 4: 
O mundo na palma da mão. Página destinada a curiosidades, adivinhas e a anedotas. Alguns textos tinham ilustração.
História muda: Uma tira de 4 vinhetas sem indicação do autor.

Página 5:
A História de Portugal e os selos de correio. Página de filatelia.


Página 6:
Falso Detetive. Conclusão de um conto com ilustração de José Félix
O cavalo preto. História em continuação, sem indicação de autor.


Página 8:

Concurso do Cavaleiro Andante.
Tira de O Filho do Filbusteiro a preto e branco


Página9:
O Segredo da Fábrica nº 2. História em continuação desenhada por Renato Polese. A preto e branco.


Página 10:
Punhos de aço. Episódio, em continuação, a três cores, desenhado por Rino Albertarelli.


Página 11
O Mistério da Grande Pirâmide. Episódio em continuação de Blake e Mortimer desenhado por Edgar Pierre Jacobs. A três cores.


Página 12:
O Diamante de D. Carlos, uma história desenhada por Boscarato. História em continuação. Página a preto e branco.
Publicidade da Casa Roiz, Lda

Página 13:

A Torre das sete luzes. Página a preto e branco de uma história desenhada por Fernando Bento.


Página 14:
O Regresso de Sitting Bull. Episódio desenhado por Duteurtre. História em continuação. Página a três cores.

Página 15:

O Falcão. Episódio em Continuação desenhado por José Garcês. Página a três cores.

Página 16:

Aventuras de um rapaz na floresta do Amazonas. Novela em continuação. Ilustração de José Félix.


Página 18:
O anel da rainha do Sabá. Episódio em continuação desenhado por Fernando Bento. Página a três cores.

Página 19:

O Rebelde do Ulster. Episódio em continuação desenhado por Ferrari.  Página a preto e branco.

Página 20:
Tim-Tim na Lua. Episódio em continuação da autoria de Hergé. Colorido.

 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Efeméride: André Juillard


Faz hoje 73 anos que nasceu, em 9 de junho de 1948, o autor francês André Juillard

Vinheta de Blake e Mortimer desenhada por Juillard













terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Análise crítica: O último Faraó

 



Obra: O último Faraó
Título original: Blake et Mortimet – Le dernier Pharaó
Argumento: Jaco Van Dormael; Thomas Gunzig; François Schuiten
Desenho: François Schuiten
Cor: Laurent Durieux
Editora: Asa
Edição: março de 2020
92 páginas – 85 com banda desenhada
ISBN: 978-989-23-4698-4
Preço: 10, 90 €
Dimensões: 202 mm x 288 mm

 

Análise

Este álbum não pretende ser parte da série Blake e Mortimer. É assumidamente um extra que não se enquadra, designadamente quanto ao trabalho de desenho, no estilo que segue o traço de Jacobs.

Schuiten, num estilo totalmente distinto de Jacobs e dos seus continuadores, recria as duas personagens. Foge ao grafismo em que os rostos se aproximam de um modelo semicaricatural, para usar um desenho de traço realista. Blake e Mortimer surgem mais velhos, mas apesar da mudança de estilo, os traços fisionómicos permitem identificar sem dificuldade as duas personagens.

Os rostos das personagens parecem muitas vezes sofrer de paralisia, pois as emoções não se manifestam. Os rostos mantêm-se inalterados em muitas situações que justificavam diferentes expressões. Schuiten não é um desenhador de pessoas,  embora em Cidades Obscuras tenha conseguido dar uma diversidade de expressões faciais nos seus personagens, que não se verifica neste álbum. Schuiten é um desenhador de prédios e cidades e essa é mais-valia desta obra. Nos cenários das diferentes vinhetas é o desenho dos prédios, dos seus interiores e exteriores que se evidencia. Sempre que possível Schuiten recorre à arquitetura para embelezar o fundo da vinheta e define bem as suas dimensões sempre que os prédios e outras construções arquitetónicas têm que ser desenhadas.

Apesar de os rostos não contribuírem para elevar a qualidade do álbum, os grandes planos evidenciam esta parte da anatomia humana. Ao desfolhamos as páginas são os rostos que marcam as vinhetas. São eles que nos enfrentam no virar das páginas, contando a história. Não se percebe se foi essa a intenção do desenhador, mas foi esse o resultado do trabalho realizado.

Excetuando as situações em que há a intenção de mostrar elementos arquitetónicos e urbanísticos, fazendo uso de vinhetas maiores, não há criatividade no uso das mesmas e na alteração das suas características clássicas para a construção do fluir narrativo. Não somos surpreendidos com uma vinheta ou um conjunto de vinhetas que nos faça parar a leitura.

A profundidade das cenas é conseguida de modo muito efetivo. Para isso contribui um bom uso da sombra, que permite identificar imediatamente os diversos planos que podem surgir nas vinheta e as posições relativas dos vários objetos e personagens. Schuiten domina bem esta área do grafismo.

As molduras e as características da letra usadas nos balões servem, por vezes, para demonstrar várias emoções ou para sublinhar o tom de voz usado. Ainda no que se refere ao uso dos balões, são usados no seu interior, algumas vezes, o ponto de interrogação e o ponto de exclamação, com o objetivo de mostrar o espanto das personagens.  Nota-se neste uso dos balões o domínio e o uso das técnicas de comunicação em banda desenhada.

Ainda no que se refere à simbologia própria da banda desenhada verifica-se a utilização de símbolos cinéticos, de forma moderada, e de onomatopeias, estas em número reduzido, mas aplicadas de forma coerente.

As vinhetas possuem balões e legendas. Estas últimas são essenciais para compreender a narrativa. Só os balões não conseguem expressar a história. Não estamos perante a continuação do estilo Jacobs, mas mesmo assim, a obra está bem guarnecida de legendas. As vinhetas  que não têm balões, nem legendas ou onomatopeias são em número muito reduzido, sendo evidente que não é objetivo dos autores utilizarem este tipo de narrativa silenciosa, o que também já acontecia com Jacobs e com os autores que o seguiram na sequência principal de Blake e Mortimer.

O argumento é o ponto fraco deste episódio. Atribuído a três autores, é mal conseguido. Talvez a diversidade autoral possa ser uma das razões. Cada um pretendeu deixar a sua marca e nota-se a falta uma linha segura na narrativa, havendo várias distrações da via principal da história que se pretende contar.

O argumento vai buscar as suas origens a O mistério da Grande Pirâmide, o episódio da série Blake e Mortimer que mais usa e abusa do esoterismo, que acaba transportado para o presente episódio, não combinando bem com a ficção científica em que se pretende centrar o argumento. Esoterismo e ciência são duas palavras que não cabem na mesma abordagem. Embora Blake e Mortimer seja uma série de ficção científica, se os autores tivessem optado por seguir a linha esotérica nada haveria opor, tanto mais que se está fora da série principal, mas a mistura acaba por tornar o argumento difícil de entender, não se percebendo onde acabam as manifestações esotéricas e onde começa a especulação científica.

A remissão a álbuns publicados na série Blake e Mortimer fica reservada a O Mistério da Grande Pirâmide e ao xeque Abdel Razek. Desta vez o sempre omnipresente Olrik não surge na história. Talvez os argumentistas tenham decidido que ele morreu na explosão final de As 3 fórmulas do professor Sato.

Com tantos autores no argumento há, no entanto, pormenores que não estão resolvidos. É completamente incompreensível como é que Henri conseguiu sobreviver dentro do prédio, fechado, até a parede se ter aberto pela primeira vez, depois de ter ficado prisioneiro.

A radiação está muito mal explicada. Como é que uma radiação desconhecida (desconhecida em que aspeto?) é confinada tão facilmente. Também não é explicada de forma clara aquela emissão clara em forma de feixe paralelo, tipo laser. Se a radiação interage com a ionosfera da forma como é descrita, então que sucederia aos humanos que a ela estiveram sujeitos? Aparentemente nada, o que é muito estranho.

A ficção científica tem que ser especulativa, mas deve obedecer à ciência já conhecida na época em que decorre a ação. Neste argumento surgem algumas falhas nessa área.

Uma outra falha do argumento reside na dificuldade de localização temporal do episódio. Consegue perceber-se, pela imagem em que se mostra a falha nos computadores em Londres, que os monitores usados colocam o desenlace entre a segunda metade dos anos 90 e, talvez, os primeiros anos do século XXI. Não há, no entanto, nenhuma forma de localizar o incidente inicial, embora pelos automóveis que surgem na imagem, parece que terá que ser já década de sessenta ou posterior. Com tanta informação escrita que é dada, a localização temporal não deixaria de ser relevante.

O próprio ar juvenil da filha do xeque não é facilmente compatibilizado com o tempo decorrido desde a data de O Mistério da Grande Pirâmide, a idade que o xeque parece ter, e a época em que decorre o desenlace da atual ação narrativa.

Outro aspeto inexplicável é a tentativa de fazer explodir o comboio. Quem e porquê? Aparentemente os habitantes de Bruxelas não pareciam querer acabar com a situação em que viviam.

Também por que razão se passaram tantos anos até que se tenha decidido proceder a um ataque decisivo?

São muitas as interrogações que mereciam resposta, e que deixam o argumento incompleto.

Conclusão

O episódio pode mostrar algum interesse para os admiradores da série Blake e Mortimer. Não porque tenha uma qualidade elevada, designadamente no argumento, mas pela curiosidade de ver um desenhador como Schuiten a trabalhar a série.

Para um iniciado em Blake e Mortimer não é apelativo. Até pode ser incompreensível pelas relações que estabelece com o Mistério da Grande Pirâmide.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Análise crítica: O sopro de Moloch

 

Obra: O grito de Moloch

Título original: Blake et Mortimer 27 - Le cri du Moloch

Argumento: Jean Dufaux

Desenhos: Chistian Cailleaux e Éttienee Schréder

Cor: Laurence Croix

Edição Cartonada

Editora: Asa

Ano 2020

56 páginas- 54 contendo o episódio.

Dimensões: 309 mm x 236 mmm

ISNN: 978-989-23-4957-2

PVP : 15,90 €

Há uma edição limitada com capa especial e outro ISBN

 


Análise:

Este álbum deve ser entendido como uma continuidade de “A Onda Septimus”, pois usa as personagens e o ambiente cénico e social desse episódio, embora possa ser lido também de modo autónomo, ficando, nessa situação, por compreender alguns elementos da narrativa. Considerando que “ A Onda Septimus” já surgia na sequência de “ A Marca Amarela”, estamos perante um conjunto que une estes três episódios. Para uma melhor compreensão de todos os factos narrados, também será importante ler “O mistério da Grande Pirâmide” que também é  referido no episódio agora em análise.

O argumento, que normalmente é o fator que marca o sucesso ou insucesso de uma banda desenhada, a não ser que se esteja perante um desenho horrível, é um dos aspetos mais negativos deste episódio.

Começa pelo recurso ao esoterismo. Este foi um dos aspetos ficcionais que Jacobs usou em “ O Mistério da Grande Pirâmide”, e posteriormente como solução para resolver o enredo de “A Marca Amarela”; mas, depois, abandonou-o. E provavelmente tê-lo-á feito porque a ficção científica e o espírito analítico de um cientista não são compatíveis com “palavras mágicas”.  Na fase Blake e Mortimer, posterior à morte do seu criador, houve mais alguns argumentistas que recorreram a este efeito, mas, na verdade, apenas estiveram a tirar valor a uma série, que no campo da ficção científica marca pontos, e que os perde quando entra nesta área ficcional. O episódio fica com mais características para ir para uma das revistas típicas dos anos 70 e 80 sobre esta temática: “ Creepy” ou as portuguesas “Terror” e “Zakarella” do que para fazer parte de uma série de ficção científica, que tem de abordar assuntos de ciência, sejam eles reais ou imaginados.

Como série esotérica este episódio convence, do ponto de vista da ficção científica, mesmo esquecendo as incompatibilidades entre esoterismo e ciência, é medíocre.

Na sua globalidade o argumento é uma “boa ideia”, mas como acontece quase sempre que se utiliza esta qualificação, significa que se está perante algo que falhou.

Falhou no que se refere ao contexto esotérico e falhou em várias partes pouco desenvolvidas ou não explicadas. Não se explica como ocorre a incorporação. Por um lado é física mas parece ocorrer numa perspetiva psicológica, havendo aqui contradições. Uma das vinhetas parece mostrar a destruição física do hospedeiro, quando surge uma língua “anormal” na boca do incorporado, com o risco de sufocação, mas, no entanto, não há qualquer notícia de destruição de órgãos quando o cadáver do corpo ocupado aparece.

Também a partida dos extraterrestres merecia melhor explicação. Demasiado fácil para ser aceite. A razão da atitude de Orfeu não é explicada. Qual a razão para destruir a civilização humana? Mata só porque quer matar?

Ainda em relação ao argumento, uma última crítica. Voltar sete anos mais tarde à continuação de um episódio, quando já foram publicados mais quatro volumes de três episódios diferentes, apesar das pontas soltas deixadas por “A Onda Septimus”, é muito tempo decorrido e a edição fica desadequada. Justificava-se esta publicação se houvesse uma qualidade extraordinária na continuação, o que não é o caso.

O número de vinhetas por página, embora superior ao do episódio “A Onda Septimus”, que teve uma média de 9,5 vinhetas por página, fica na média da série, 10,7 por página.  Nesta perspetiva é no um episódio que se enquadra no espirito da série, com um elevado número de vinhetas em cada página.

A relevância dos personagens principais no argumento colocam Blake e Mortimer em igualdade de circunstâncias no que se refere a presenças nas vinhetas, com um ligeiro ascendente de Blake relativamente a Mortimer, tal como sucedera em “A Onda Septimus”. Já quanto a Olrik, dada a sua relevância do desenlace do episódio, merecia maior destaque no desenvolver do argumento, com uma presença mais frequente ao longo das várias páginas. A sua presença em apenas 14% das vinhetas não é adequada ao importante papel que desempenha.

Nos pormenores de desenho há três que quero referenciar. O circulo em torno do M  na camisola de Olrik, surge quase sempre aberto, mas também surge fechado, o que é uma incoerência. Também as cores da bandeira britânica no uniforme de Blake, na sequência, vermelho, branco, azul, branco, vermelho, merecia melhor tratamento, pois nem sempre são visíveis todas as cores nem surgem com as mesmas dimensões relativas. Finalmente, o casaco que a rainha veste na audiência no palácio, parece ter na gola algo estranho. Se por um lado aparenta não ter gola dobrada, na vinheta em que abandona a sala, esta parece surgir com uma forma inadequada ao que se vê anteriormente, não se percebendo como poderiam surgir nesta gola os elementos desenhados nas vinhetas anteriores.

Um dos maiores problemas relativos ao desenho, excluindo os anteriores que não afetam significativamente a globalidade da obra, surge com as fisionomias.

A da rainha surge com problemas de falta de semelhança com a própria, na época em que decorre a ação, e que é possível analisar com facilidade, dada a profusão de fotos que existe da sua coroação, ocorrida em 1953. Há diferença significativa entre o rosto que é proposto no desenho e o da própria rainha, sendo a personagem mais facilmente identificável pelo estilo de vestuário do que pela fisionomia. Não há também constância nos seus traços fisionómicos. Tanto surge um rosto jovial, com cerca de 30 anos, como por vezes parece ter 50.

Esta incapacidade de adequar os traços à idade da personagem, também se verifica, por vezes, com o professor Mortimer, que em algumas vinhetas parece aparentar uma idade superior àquela que teria nas restantes.

Já o rosto de Churchill parece muito melhor conseguido. Também facilmente atribuímos o desenho à personagem, sem ligar muitos aos traços. A estrutura física, o cachimbo e a alopecia descrevem facilmente o primeiro-ministro britânico da época.

Uma outra situação ocorre neste livro ainda no que concerne às fisionomias. Os autores mostram dificuldade em expressar as emoções das personagens. Apesar de o conseguirem algumas vezes, na maior parte das situações ficamos perante uma “poker face” pouco compatível com a qualidade que se pretende na continuidade gráfica desta série criada por Edgar Pierre Jacobs.

O fundo das vinhetas apresenta-se demasiadas vezes entre o verde e o um tom azulado, que o afastam ligeiramente dos episódios a que pretenderia dar continuidade “A marca amarela”, marcada por tons mais escuros, e, especialmente, “ A onda Septimus”, que assenta em tonalidades mais claras.

O cenário das vinhetas poderia ser um pouco mais enriquecido, seguindo na esteira de Jacobs, nomeadamente nas suas principias obras, mas o aspeto menos positivo, entenda-se que não quer dizer negativo, está no traçado demasiado limpo e assético, designadamente das linhas urbanísticas, mas não só. Falta a imperfeição, alguma” sujidade”, mais curvatura, que aproxime o cenário do estilo do de Jacobs. Não podemos esquecer que esta continuação da série pretende imitar o estilo do seu criador, não pretendendo fazer uma reinvenção das personagens ou do ambiente.

A sombra no desenho nem sempre é muito bem tratada pelos desenhadores. Na primeira vinheta da prancha dezasseis a face direita de Bronstein, num plano paralelo das costas dos outros dois cientistas, surge iluminada, ao contrário das costas destes, o que não é muito coerente com a posição de onde vem a luz que ilumina a cena. Também existem vinhetas onde surge a sombra, mas outras em que não há qualquer sombra, apesar da fonte de luz da cena não estar sobre as personagens, revelando alguma incoerência estilística. Existem obras em que a sombra é usada para realce de algumas personagens, mas neste caso, a presença ou ausência da sombra, não está associada a esse elemento narrativo.

A letra é legível, embora muito pequena, não criando, no entanto, dificuldades na leitura. Há muito texto, uma característica da obra de Edgar Pierre Jacobs. Não há constância na intensidade do texto, mas essa particularidade também já se notava em Jacobs, não só em cada um dos episódios, mas numa evolução que o foi levando, com o tempo, a diminuir a quantidade de palavras que usava.

O texto surge em balões de forma retangular, aparecendo múltiplas legendas: enquadradas em caixas de texto sobre as vinhetas, abaixo das vinhetas, lateralmente e também dentro das próprias vinhetas. Há, raramente, legendas sem enquadramento de uma moldura.

Existem vinhetas com símbolos cinéticos com os quais se pretendem evidenciar alguns movimentos, assim como outra simbologia, que pretende mostrar emoções, como surpresa: trações radiais envolvendo a cabeça. Surgem também elementos de pontuação ortográfica dentro das vinhetas, como representação emocional.

Uma nota final para a editora, que na contracapa continua a insistir em colocar “O Raio U” como um episódio de Blake e Mortimer. Que pretendem? Levar à compra por quem não conheça?

Não é preciso. A obra é interessante por si mesma.

Conclusão.

Quem vai à procura da continuidade de Jacobs, ou de alguns autores posteriores, ficará um pouco desiludido com este episódio, que baixa a qualidade média da série, tanto no argumento como no desenho. Pode ser interessante para um iniciado em Blake e Mortimer,  que não vá apenas em busca de uma série de ficção científica, mas para quem já conheceu todos os episódios anteriores, fica alguma deceção, ficando este livro em “mais um” que se compra para a coleção ficar completa.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Da BD para o ecrã: Blake e Mortimer


Blake e Mortimer foi uma série criada em 1946 para a revista belga Tintin por Edgar Pierre Jacobs. A série teve publicação regular até 1972, ano em que Jacobs deixou por realizar o segundo volume de As três fórmulas do professor Sato. Em 1990 Bob de Moor completou este álbum que finalmente viu a sua edição feita. A partir de 1996 a série foi retomada tendo sido publicados vários álbuns.


Em 1997 foi realizada um animação com 13 episódios, nove dos quais  foram adaptações dos argumentos dos álbuns.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Cientistas


São várias as séries em que os cientistas têm um papel fundamental: como protagonistas, como adjuvantes ou como antagonistas.
A lista que se segue indica apenas os que funcionam como personagens principais ou colaboradores dos protagonistas das séries. Ficam excluídos os antagonistas.

5 x infinito
Altar, astrónomo, um dos elementos do quinteto.

Blake e Mortimer
O professor Mortimer


BricK Bradford
O Dr.Eastern , um companheiro de aventuras de Brick Bradford


Cavaleiros Atómicos
Bryndon, um dos componentes do grupo

Era Xenozoica
Hannah Dundee, a cientista, co-protagonista da série

Flash Gordon
Dr. Zarkov, o inseparável companheiro de Flash Gordon

Garth
O professor Lumíére, que surge em vários episódios, embora por vezes as suas atitudes pouco tenham de científicas, antes pelo contrário.
 

Leonardo
O cientista de outras épocas numa série humorística

Paul Foran
O aventureiro cientista, protagonista da série


Spirou e Fantasio
O conde de  Champignac,  cientista amigo de Spirou e de Fantásio

Swamp Thing
Alec Holland, o cientista antes  da explosão.

Tintin
Professor Tornesol, o cientista mais distraído do mundo, com algumas ideias pouco científicas


Luc Orient
Kala Kopak, o cientista amigo de Luc Orient

Ironman
O Homem de Ferro, Tony Stark

Hulk
Dr. Robert Bruce Banner, quando não está irritado, e transformado em Hulk


Gyro Gearloose  (Prof Pardal)
O maior inventor de toda a banda desenhada
 

quinta-feira, 14 de março de 2019

Juillard (3)

Le cahier Bleu marca a saída de Juillard da área histórica, a que se segue Aprés la pluie.
Paralelamente  inicia Plume au vent, mais uma série que partilha com Cotias como autor do argumento.

Em 1999 começa a trabalhar na série Blake e Mortimer, sendo o responsável pelos desenhos de várias dos episódios entretanto publicados.
Em 2006, com argumento de Pierre Christin publica Voyage de Lena

Em português, em espanhol e em francês conclui-se a lista de trabalhos de Juillard na minha coleção.



episódio
série
argumento
La roca y el asesino
Pluma al viento
Cothias
 
El pájaro Trueno
Pluma al viento
Cothias
 
Guapo tenebroso

Pluma Al viento
Cothias
 
Ni dios ni diablo
Pluma Al Viento
Cothias
 
El largo viaje de Lena
Pluma Al Viento
Piere Christin
 
Le Cahier Bleu

André Juillard
 
Apres la pluie

André Juillard
 
A conspiração Voronov
Blake e Mortimer
Sente
Os sarcófagos do 6º continente
Blake e Mortimer
Sente
Os sarcófagos do 6º continente 2 – Duelo de espirítos
Blake e Mortimer
Sente
 
O santuário de Gondwana
Blake e Mortimer
Sente
 
O juramento dos 5 lordes
Blake e Mortimer
Sente
 
O bastão de Licurgo
Blake e Mortimer
Sente
 
O testamento de William S.
Blake e Mortimer
Sente