sexta-feira, 27 de junho de 2025
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
Efeméride: Yves Senté
Faz hoje 60 anos que nasceu, 17 de janeiro de 1964, o autor Yves Senté.
domingo, 24 de dezembro de 2023
Relendo ao acaso: O enigma da Atlântida
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Episódio |
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O enigma da Atlântida |
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Série |
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Blake e Mortimer |
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Autores |
Desenho: Edgar Pierre Jacobs
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Dados sobre o episódio |
Leitura: O enigma da Atlântida (Álbum)
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Resumo |
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Mortimer foi de férias para os Açores, mas a descoberta de um
estranho metal, leva-o a chamar o seu amigo Blake. No entanto o seu inimigo Olrik
conseguiu ficar no conhecimento da descoberta e também se |
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Comentário |
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Este episódio tem a curiosidade de se iniciar em território Português, mais concretamente na ilha de S. Miguel. Fica também a nota de não se verem personagens femininas. Excetua-se uma figurante que surge em plano afastado logo nas primeiras vinhetas, quando Blake desembarca no aeroporto. |
segunda-feira, 24 de abril de 2023
Baú das resvistas: Cavaleiro Andante
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Revista |
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Cavaleiro Andante n.º 101 |
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Ficha Técnica |
Data da publicação: 5 de dezembro de 1953
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Conteúdo: |
Capa (página1):
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Página2:
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Página 3:
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Página 4:
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Página 5:
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Página 6:
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Concurso do Cavaleiro Andante.
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Página9:
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Página 10:
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Página 11
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Página 12:
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Página 13:A Torre das sete luzes. Página a preto e branco de uma história desenhada por Fernando Bento. |
Página 14:
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Página 15:O Falcão. Episódio em Continuação desenhado por José Garcês. Página a três cores. |
Página 16:Aventuras de um rapaz na floresta do Amazonas. Novela em continuação. Ilustração de José Félix. |
Página 18:
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Página 19:O Rebelde do Ulster. Episódio em continuação desenhado por Ferrari. Página a preto e branco. |
Página 20:
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quarta-feira, 9 de junho de 2021
Efeméride: André Juillard
terça-feira, 8 de dezembro de 2020
Análise crítica: O último Faraó
Título original: Blake et Mortimet – Le dernier Pharaó
Argumento: Jaco Van Dormael; Thomas Gunzig; François Schuiten
Desenho: François Schuiten
Cor: Laurent Durieux
Editora: Asa
Edição: março de 2020
92 páginas – 85 com banda desenhada
ISBN: 978-989-23-4698-4
Preço: 10, 90 €
Dimensões: 202 mm x 288 mm
Análise
Este álbum não pretende ser parte
da série Blake e Mortimer. É
assumidamente um extra que não se enquadra, designadamente quanto ao trabalho
de desenho, no estilo que segue o traço de Jacobs.
Schuiten, num estilo totalmente
distinto de Jacobs e dos seus
continuadores, recria as duas personagens. Foge ao grafismo em que os rostos se
aproximam de um modelo semicaricatural, para usar um desenho de traço realista.
Blake e Mortimer surgem mais velhos, mas
apesar da mudança de estilo, os traços fisionómicos permitem identificar sem
dificuldade as duas personagens.
Os rostos das personagens parecem
muitas vezes sofrer de paralisia, pois as emoções não se manifestam. Os rostos
mantêm-se inalterados em muitas situações que justificavam diferentes
expressões. Schuiten não é um
desenhador de pessoas, embora em Cidades Obscuras tenha conseguido dar
uma diversidade de expressões faciais nos seus personagens, que não se verifica
neste álbum. Schuiten é um desenhador
de prédios e cidades e essa é mais-valia desta obra. Nos cenários das
diferentes vinhetas é o desenho dos prédios, dos seus interiores e exteriores
que se evidencia. Sempre que possível Schuiten
recorre à arquitetura para embelezar o fundo da vinheta e define bem as suas
dimensões sempre que os prédios e outras construções arquitetónicas têm que ser
desenhadas.
Apesar de os rostos não
contribuírem para elevar a qualidade do álbum, os grandes planos evidenciam
esta parte da anatomia humana. Ao desfolhamos as páginas são os rostos que marcam
as vinhetas. São eles que nos enfrentam no virar das páginas, contando a
história. Não se percebe se foi essa a intenção do desenhador, mas foi esse o resultado
do trabalho realizado.
Excetuando as situações em que há
a intenção de mostrar elementos arquitetónicos e urbanísticos, fazendo uso de
vinhetas maiores, não há criatividade no uso das mesmas e na alteração das suas
características clássicas para a construção do fluir narrativo. Não somos
surpreendidos com uma vinheta ou um conjunto de vinhetas que nos faça parar a
leitura.
A profundidade das cenas é
conseguida de modo muito efetivo. Para isso contribui um bom uso da sombra, que
permite identificar imediatamente os diversos planos que podem surgir nas
vinheta e as posições relativas dos vários objetos e personagens. Schuiten domina bem esta área do grafismo.
As molduras e as características
da letra usadas nos balões servem, por vezes, para demonstrar várias emoções ou
para sublinhar o tom de voz usado. Ainda no que se refere ao uso dos balões,
são usados no seu interior, algumas vezes, o ponto de interrogação e o ponto de
exclamação, com o objetivo de mostrar o espanto das personagens. Nota-se neste uso dos balões o domínio e o
uso das técnicas de comunicação em banda desenhada.
Ainda no que se refere à simbologia
própria da banda desenhada verifica-se a utilização de símbolos cinéticos, de
forma moderada, e de onomatopeias, estas em número reduzido, mas aplicadas de
forma coerente.
As vinhetas possuem balões e
legendas. Estas últimas são essenciais para compreender a narrativa. Só os
balões não conseguem expressar a história. Não estamos perante a continuação do
estilo Jacobs, mas mesmo assim, a
obra está bem guarnecida de legendas. As vinhetas que não têm balões, nem legendas ou
onomatopeias são em número muito reduzido, sendo evidente que não é objetivo
dos autores utilizarem este tipo de narrativa silenciosa, o que também já
acontecia com Jacobs e com os autores
que o seguiram na sequência principal de Blake
e Mortimer.
O argumento é o ponto fraco deste
episódio. Atribuído a três autores, é mal conseguido. Talvez a diversidade
autoral possa ser uma das razões. Cada um pretendeu deixar a sua marca e nota-se
a falta uma linha segura na narrativa, havendo várias distrações da via
principal da história que se pretende contar.
O argumento vai buscar as suas
origens a O mistério da Grande Pirâmide,
o episódio da série Blake e Mortimer
que mais usa e abusa do esoterismo, que acaba transportado para o presente
episódio, não combinando bem com a ficção científica em que se pretende centrar
o argumento. Esoterismo e ciência são duas palavras que não cabem na mesma
abordagem. Embora Blake e Mortimer
seja uma série de ficção científica, se os autores tivessem optado por seguir a
linha esotérica nada haveria opor, tanto mais que se está fora da série
principal, mas a mistura acaba por tornar o argumento difícil de entender, não
se percebendo onde acabam as manifestações esotéricas e onde começa a
especulação científica.
A remissão a álbuns publicados na
série Blake e Mortimer fica reservada
a O Mistério da Grande Pirâmide e ao
xeque Abdel Razek. Desta vez o sempre
omnipresente Olrik não surge na
história. Talvez os argumentistas tenham decidido que ele morreu na explosão
final de As 3 fórmulas do professor Sato.
Com tantos autores no argumento
há, no entanto, pormenores que não estão resolvidos. É completamente
incompreensível como é que Henri
conseguiu sobreviver dentro do prédio, fechado, até a parede se ter aberto pela
primeira vez, depois de ter ficado prisioneiro.
A radiação está muito mal
explicada. Como é que uma radiação desconhecida (desconhecida em que aspeto?) é
confinada tão facilmente. Também não é explicada de forma clara aquela emissão
clara em forma de feixe paralelo, tipo laser. Se a radiação interage com a
ionosfera da forma como é descrita, então que sucederia aos humanos que a ela
estiveram sujeitos? Aparentemente nada, o que é muito estranho.
A ficção científica tem que ser especulativa,
mas deve obedecer à ciência já conhecida na época em que decorre a ação. Neste argumento
surgem algumas falhas nessa área.
Uma outra falha do argumento reside
na dificuldade de localização temporal do episódio. Consegue perceber-se, pela
imagem em que se mostra a falha nos computadores em Londres, que os monitores
usados colocam o desenlace entre a segunda metade dos anos 90 e, talvez, os primeiros
anos do século XXI. Não há, no entanto, nenhuma forma de localizar o incidente
inicial, embora pelos automóveis que surgem na imagem, parece que terá que ser
já década de sessenta ou posterior. Com tanta informação escrita que é dada, a
localização temporal não deixaria de ser relevante.
O próprio ar juvenil da filha do
xeque não é facilmente compatibilizado com o tempo decorrido desde a data de O Mistério da Grande Pirâmide, a idade
que o xeque parece ter, e a época em que decorre o desenlace da atual ação
narrativa.
Outro aspeto inexplicável é a
tentativa de fazer explodir o comboio. Quem e porquê? Aparentemente os
habitantes de Bruxelas não pareciam querer acabar com a situação em que viviam.
Também por que razão se passaram
tantos anos até que se tenha decidido proceder a um ataque decisivo?
São muitas as interrogações que
mereciam resposta, e que deixam o argumento incompleto.
Conclusão
O episódio pode mostrar algum
interesse para os admiradores da série Blake
e Mortimer. Não porque tenha uma qualidade elevada, designadamente no argumento,
mas pela curiosidade de ver um desenhador como Schuiten a trabalhar a série.
Para um iniciado em Blake e Mortimer não é apelativo. Até
pode ser incompreensível pelas relações que estabelece com o Mistério da Grande Pirâmide.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Análise crítica: O sopro de Moloch
Obra: O grito de Moloch
Título original: Blake et Mortimer 27 - Le cri du Moloch
Argumento: Jean Dufaux
Desenhos: Chistian Cailleaux e Éttienee Schréder
Cor: Laurence Croix
Edição Cartonada
Editora: Asa
Ano 2020
56 páginas- 54 contendo o episódio.
Dimensões: 309 mm x 236 mmm
ISNN: 978-989-23-4957-2
PVP : 15,90 €
Há uma edição limitada com capa especial e outro ISBN
Análise:
Este álbum deve ser entendido como uma continuidade de “A Onda Septimus”, pois usa as personagens e o ambiente cénico e social desse episódio, embora possa ser lido também de modo autónomo, ficando, nessa situação, por compreender alguns elementos da narrativa. Considerando que “ A Onda Septimus” já surgia na sequência de “ A Marca Amarela”, estamos perante um conjunto que une estes três episódios. Para uma melhor compreensão de todos os factos narrados, também será importante ler “O mistério da Grande Pirâmide” que também é referido no episódio agora em análise.
O argumento, que normalmente é o fator
que marca o sucesso ou insucesso de uma banda desenhada, a não ser que se
esteja perante um desenho horrível, é um dos aspetos mais negativos deste
episódio.
Começa pelo recurso ao
esoterismo. Este foi um dos aspetos ficcionais que Jacobs usou em “ O Mistério
da Grande Pirâmide”, e posteriormente como solução para resolver o enredo de “A
Marca Amarela”; mas, depois, abandonou-o. E provavelmente tê-lo-á feito porque
a ficção científica e o espírito analítico de um cientista não são compatíveis
com “palavras mágicas”. Na fase Blake e
Mortimer, posterior à morte do seu criador, houve mais alguns argumentistas que
recorreram a este efeito, mas, na verdade, apenas estiveram a tirar valor a uma
série, que no campo da ficção científica marca pontos, e que os perde quando
entra nesta área ficcional. O episódio fica com mais características para ir
para uma das revistas típicas dos anos 70 e 80 sobre esta temática: “ Creepy”
ou as portuguesas “Terror” e “Zakarella” do que para fazer parte de uma série
de ficção científica, que tem de abordar assuntos de ciência, sejam eles reais
ou imaginados.
Como série esotérica este
episódio convence, do ponto de vista da ficção científica, mesmo esquecendo as
incompatibilidades entre esoterismo e ciência, é medíocre.
Na sua globalidade o argumento é
uma “boa ideia”, mas como acontece quase sempre que se utiliza esta qualificação,
significa que se está perante algo que falhou.
Falhou no que se refere ao
contexto esotérico e falhou em várias partes pouco desenvolvidas ou não
explicadas. Não se explica como ocorre a incorporação. Por um lado é física mas
parece ocorrer numa perspetiva psicológica, havendo aqui contradições. Uma das vinhetas
parece mostrar a destruição física do hospedeiro, quando surge uma língua “anormal”
na boca do incorporado, com o risco de sufocação, mas, no entanto, não há
qualquer notícia de destruição de órgãos quando o cadáver do corpo ocupado aparece.
Também a partida dos extraterrestres
merecia melhor explicação. Demasiado fácil para ser aceite. A razão da atitude
de Orfeu não é explicada. Qual a razão para destruir a civilização humana? Mata
só porque quer matar?
Ainda em relação ao argumento,
uma última crítica. Voltar sete anos mais tarde à continuação de um episódio,
quando já foram publicados mais quatro volumes de três episódios diferentes,
apesar das pontas soltas deixadas por “A Onda Septimus”, é muito tempo decorrido
e a edição fica desadequada. Justificava-se esta publicação se houvesse uma
qualidade extraordinária na continuação, o que não é o caso.
O número de vinhetas por página,
embora superior ao do episódio “A Onda Septimus”, que teve uma média de 9,5
vinhetas por página, fica na média da série, 10,7 por página. Nesta perspetiva é no um episódio que se
enquadra no espirito da série, com um elevado número de vinhetas em cada
página.
A relevância dos personagens
principais no argumento colocam Blake e Mortimer em igualdade de circunstâncias
no que se refere a presenças nas vinhetas, com um ligeiro ascendente de Blake
relativamente a Mortimer, tal como sucedera em “A Onda Septimus”. Já quanto a
Olrik, dada a sua relevância do desenlace do episódio, merecia maior destaque
no desenvolver do argumento, com uma presença mais frequente ao longo das
várias páginas. A sua presença em apenas 14% das vinhetas não é adequada ao
importante papel que desempenha.
Nos pormenores de desenho há três
que quero referenciar. O circulo em torno do M
na camisola de Olrik, surge quase sempre aberto, mas também surge
fechado, o que é uma incoerência. Também as cores da bandeira britânica no
uniforme de Blake, na sequência, vermelho, branco, azul, branco, vermelho,
merecia melhor tratamento, pois nem sempre são visíveis todas as cores nem surgem
com as mesmas dimensões relativas. Finalmente, o casaco que a rainha veste na audiência
no palácio, parece ter na gola algo estranho. Se por um lado aparenta não ter
gola dobrada, na vinheta em que abandona a sala, esta parece surgir com uma
forma inadequada ao que se vê anteriormente, não se percebendo como poderiam
surgir nesta gola os elementos desenhados nas vinhetas anteriores.
Um dos maiores problemas
relativos ao desenho, excluindo os anteriores que não afetam significativamente
a globalidade da obra, surge com as fisionomias.
A da rainha surge com problemas
de falta de semelhança com a própria, na época em que decorre a ação, e que é
possível analisar com facilidade, dada a profusão de fotos que existe da sua
coroação, ocorrida em 1953. Há diferença significativa entre o rosto que é proposto
no desenho e o da própria rainha, sendo a personagem mais facilmente
identificável pelo estilo de vestuário do que pela fisionomia. Não há também
constância nos seus traços fisionómicos. Tanto surge um rosto jovial, com cerca
de 30 anos, como por vezes parece ter 50.
Esta incapacidade de adequar os
traços à idade da personagem, também se verifica, por vezes, com o professor
Mortimer, que em algumas vinhetas parece aparentar uma idade superior àquela
que teria nas restantes.
Já o rosto de Churchill parece
muito melhor conseguido. Também facilmente atribuímos o desenho à personagem,
sem ligar muitos aos traços. A estrutura física, o cachimbo e a alopecia
descrevem facilmente o primeiro-ministro britânico da época.
Uma outra situação ocorre neste
livro ainda no que concerne às fisionomias. Os autores mostram dificuldade em
expressar as emoções das personagens. Apesar de o conseguirem algumas vezes, na
maior parte das situações ficamos perante uma “poker face” pouco compatível com
a qualidade que se pretende na continuidade gráfica desta série criada por
Edgar Pierre Jacobs.
O fundo das vinhetas apresenta-se
demasiadas vezes entre o verde e o um tom azulado, que o afastam ligeiramente
dos episódios a que pretenderia dar continuidade “A marca amarela”, marcada por
tons mais escuros, e, especialmente, “ A onda Septimus”, que assenta em
tonalidades mais claras.
O cenário das vinhetas poderia
ser um pouco mais enriquecido, seguindo na esteira de Jacobs, nomeadamente nas
suas principias obras, mas o aspeto menos positivo, entenda-se que não quer
dizer negativo, está no traçado demasiado limpo e assético, designadamente das
linhas urbanísticas, mas não só. Falta a imperfeição, alguma” sujidade”, mais
curvatura, que aproxime o cenário do estilo do de Jacobs. Não podemos esquecer
que esta continuação da série pretende imitar o estilo do seu criador, não
pretendendo fazer uma reinvenção das personagens ou do ambiente.
A sombra no desenho nem sempre é
muito bem tratada pelos desenhadores. Na primeira vinheta da prancha dezasseis
a face direita de Bronstein, num plano paralelo das costas dos outros dois
cientistas, surge iluminada, ao contrário das costas destes, o que não é muito
coerente com a posição de onde vem a luz que ilumina a cena. Também existem vinhetas
onde surge a sombra, mas outras em que não há qualquer sombra, apesar da fonte
de luz da cena não estar sobre as personagens, revelando alguma incoerência estilística.
Existem obras em que a sombra é usada para realce de algumas personagens, mas
neste caso, a presença ou ausência da sombra, não está associada a esse
elemento narrativo.
A letra é legível, embora muito
pequena, não criando, no entanto, dificuldades na leitura. Há muito texto, uma
característica da obra de Edgar Pierre Jacobs. Não há constância na intensidade
do texto, mas essa particularidade também já se notava em Jacobs, não só em
cada um dos episódios, mas numa evolução que o foi levando, com o tempo, a
diminuir a quantidade de palavras que usava.
O texto surge em balões de forma
retangular, aparecendo múltiplas legendas: enquadradas em caixas de texto sobre
as vinhetas, abaixo das vinhetas, lateralmente e também dentro das próprias
vinhetas. Há, raramente, legendas sem enquadramento de uma moldura.
Existem vinhetas com símbolos cinéticos
com os quais se pretendem evidenciar alguns movimentos, assim como outra
simbologia, que pretende mostrar emoções, como surpresa: trações radiais
envolvendo a cabeça. Surgem também elementos de pontuação ortográfica dentro
das vinhetas, como representação emocional.
Uma nota final para a editora,
que na contracapa continua a insistir em colocar “O Raio U” como um episódio de
Blake e Mortimer. Que pretendem? Levar à compra por quem não conheça?
Não é preciso. A obra é interessante
por si mesma.
Conclusão.
Quem vai à procura da
continuidade de Jacobs, ou de alguns autores posteriores, ficará um pouco
desiludido com este episódio, que baixa a qualidade média da série, tanto no
argumento como no desenho. Pode ser interessante para um iniciado em Blake e
Mortimer, que não vá apenas em busca de
uma série de ficção científica, mas para quem já conheceu todos os episódios
anteriores, fica alguma deceção, ficando este livro em “mais um” que se compra
para a coleção ficar completa.
quinta-feira, 23 de julho de 2020
Da BD para o ecrã: Blake e Mortimer
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Cientistas
quinta-feira, 14 de março de 2019
Juillard (3)
episódio
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série
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argumento
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La roca y el asesino
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Pluma al viento
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Cothias
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El pájaro Trueno
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Pluma al viento
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Cothias
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Guapo tenebroso
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Pluma Al viento
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Cothias
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Ni dios ni diablo
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Pluma Al Viento
|
Cothias
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El largo viaje de Lena
|
Pluma Al Viento
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Piere Christin
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Le Cahier Bleu
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André Juillard
|
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Apres la pluie
|
André Juillard
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A conspiração Voronov
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Blake e Mortimer
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Sente
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Os sarcófagos do 6º continente
|
Blake e Mortimer
|
Sente
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Os sarcófagos do 6º continente 2 – Duelo de espirítos
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Blake e Mortimer
|
Sente
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O santuário de Gondwana
|
Blake e Mortimer
|
Sente
|
O juramento dos 5 lordes
|
Blake e Mortimer
|
Sente
|
O bastão de Licurgo
|
Blake e Mortimer
|
Sente
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O testamento de William S.
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Blake e Mortimer
|
Sente
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