quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Baú das revistas: Êxitos da TV

Revista
Êxitos da TV nº 5

Ficha Técnica
Data da publicação: 5 de abril de 1979
Preço: 15$00
Periodicidade: semanal
Dimensões.  185 mm x 270 mm
36 páginas, incluindo a numeração de capa e contracapa
Diretor: Roussado Pinto
Propriedade: Marcial, Rocha & Pinto
Capa a cores; interior p/b

Conteúdo:
Capa
Sem indicação de autor
Capa interior:
Dennis por Hank Ketcham. Página de 15/10/67
Página 3
Ficha Técnica
Episódio O duende polar da série Brick Bradford desenhado por Paul Norris. Tira diária de 4/12/72 a 3/3/73
Página 23
Mark Trail. Página de 2/9/56 desenhada por Ed Dodd
Página 24
Enciclopédia Gráfica por R. J. Scott.
Página 25
A garganta do vento. Episódio de Histórias do velho Tom desenhado pro Stelio Fenzo
 
Página 34
O dia a dia do Sr Huberto. Tiras de 2 a 5 de maio de 1967 desenhadas por Dick Wingert
Contracapa interior
Publicidade ao Centro de Instrução Técnica
Contracapa
Bugs Bunny, por Raçph Heimdahl. Página de 1/09/1968.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Análise crítica: O último Faraó

 



Obra: O último Faraó
Título original: Blake et Mortimet – Le dernier Pharaó
Argumento: Jaco Van Dormael; Thomas Gunzig; François Schuiten
Desenho: François Schuiten
Cor: Laurent Durieux
Editora: Asa
Edição: março de 2020
92 páginas – 85 com banda desenhada
ISBN: 978-989-23-4698-4
Preço: 10, 90 €
Dimensões: 202 mm x 288 mm

 

Análise

Este álbum não pretende ser parte da série Blake e Mortimer. É assumidamente um extra que não se enquadra, designadamente quanto ao trabalho de desenho, no estilo que segue o traço de Jacobs.

Schuiten, num estilo totalmente distinto de Jacobs e dos seus continuadores, recria as duas personagens. Foge ao grafismo em que os rostos se aproximam de um modelo semicaricatural, para usar um desenho de traço realista. Blake e Mortimer surgem mais velhos, mas apesar da mudança de estilo, os traços fisionómicos permitem identificar sem dificuldade as duas personagens.

Os rostos das personagens parecem muitas vezes sofrer de paralisia, pois as emoções não se manifestam. Os rostos mantêm-se inalterados em muitas situações que justificavam diferentes expressões. Schuiten não é um desenhador de pessoas,  embora em Cidades Obscuras tenha conseguido dar uma diversidade de expressões faciais nos seus personagens, que não se verifica neste álbum. Schuiten é um desenhador de prédios e cidades e essa é mais-valia desta obra. Nos cenários das diferentes vinhetas é o desenho dos prédios, dos seus interiores e exteriores que se evidencia. Sempre que possível Schuiten recorre à arquitetura para embelezar o fundo da vinheta e define bem as suas dimensões sempre que os prédios e outras construções arquitetónicas têm que ser desenhadas.

Apesar de os rostos não contribuírem para elevar a qualidade do álbum, os grandes planos evidenciam esta parte da anatomia humana. Ao desfolhamos as páginas são os rostos que marcam as vinhetas. São eles que nos enfrentam no virar das páginas, contando a história. Não se percebe se foi essa a intenção do desenhador, mas foi esse o resultado do trabalho realizado.

Excetuando as situações em que há a intenção de mostrar elementos arquitetónicos e urbanísticos, fazendo uso de vinhetas maiores, não há criatividade no uso das mesmas e na alteração das suas características clássicas para a construção do fluir narrativo. Não somos surpreendidos com uma vinheta ou um conjunto de vinhetas que nos faça parar a leitura.

A profundidade das cenas é conseguida de modo muito efetivo. Para isso contribui um bom uso da sombra, que permite identificar imediatamente os diversos planos que podem surgir nas vinheta e as posições relativas dos vários objetos e personagens. Schuiten domina bem esta área do grafismo.

As molduras e as características da letra usadas nos balões servem, por vezes, para demonstrar várias emoções ou para sublinhar o tom de voz usado. Ainda no que se refere ao uso dos balões, são usados no seu interior, algumas vezes, o ponto de interrogação e o ponto de exclamação, com o objetivo de mostrar o espanto das personagens.  Nota-se neste uso dos balões o domínio e o uso das técnicas de comunicação em banda desenhada.

Ainda no que se refere à simbologia própria da banda desenhada verifica-se a utilização de símbolos cinéticos, de forma moderada, e de onomatopeias, estas em número reduzido, mas aplicadas de forma coerente.

As vinhetas possuem balões e legendas. Estas últimas são essenciais para compreender a narrativa. Só os balões não conseguem expressar a história. Não estamos perante a continuação do estilo Jacobs, mas mesmo assim, a obra está bem guarnecida de legendas. As vinhetas  que não têm balões, nem legendas ou onomatopeias são em número muito reduzido, sendo evidente que não é objetivo dos autores utilizarem este tipo de narrativa silenciosa, o que também já acontecia com Jacobs e com os autores que o seguiram na sequência principal de Blake e Mortimer.

O argumento é o ponto fraco deste episódio. Atribuído a três autores, é mal conseguido. Talvez a diversidade autoral possa ser uma das razões. Cada um pretendeu deixar a sua marca e nota-se a falta uma linha segura na narrativa, havendo várias distrações da via principal da história que se pretende contar.

O argumento vai buscar as suas origens a O mistério da Grande Pirâmide, o episódio da série Blake e Mortimer que mais usa e abusa do esoterismo, que acaba transportado para o presente episódio, não combinando bem com a ficção científica em que se pretende centrar o argumento. Esoterismo e ciência são duas palavras que não cabem na mesma abordagem. Embora Blake e Mortimer seja uma série de ficção científica, se os autores tivessem optado por seguir a linha esotérica nada haveria opor, tanto mais que se está fora da série principal, mas a mistura acaba por tornar o argumento difícil de entender, não se percebendo onde acabam as manifestações esotéricas e onde começa a especulação científica.

A remissão a álbuns publicados na série Blake e Mortimer fica reservada a O Mistério da Grande Pirâmide e ao xeque Abdel Razek. Desta vez o sempre omnipresente Olrik não surge na história. Talvez os argumentistas tenham decidido que ele morreu na explosão final de As 3 fórmulas do professor Sato.

Com tantos autores no argumento há, no entanto, pormenores que não estão resolvidos. É completamente incompreensível como é que Henri conseguiu sobreviver dentro do prédio, fechado, até a parede se ter aberto pela primeira vez, depois de ter ficado prisioneiro.

A radiação está muito mal explicada. Como é que uma radiação desconhecida (desconhecida em que aspeto?) é confinada tão facilmente. Também não é explicada de forma clara aquela emissão clara em forma de feixe paralelo, tipo laser. Se a radiação interage com a ionosfera da forma como é descrita, então que sucederia aos humanos que a ela estiveram sujeitos? Aparentemente nada, o que é muito estranho.

A ficção científica tem que ser especulativa, mas deve obedecer à ciência já conhecida na época em que decorre a ação. Neste argumento surgem algumas falhas nessa área.

Uma outra falha do argumento reside na dificuldade de localização temporal do episódio. Consegue perceber-se, pela imagem em que se mostra a falha nos computadores em Londres, que os monitores usados colocam o desenlace entre a segunda metade dos anos 90 e, talvez, os primeiros anos do século XXI. Não há, no entanto, nenhuma forma de localizar o incidente inicial, embora pelos automóveis que surgem na imagem, parece que terá que ser já década de sessenta ou posterior. Com tanta informação escrita que é dada, a localização temporal não deixaria de ser relevante.

O próprio ar juvenil da filha do xeque não é facilmente compatibilizado com o tempo decorrido desde a data de O Mistério da Grande Pirâmide, a idade que o xeque parece ter, e a época em que decorre o desenlace da atual ação narrativa.

Outro aspeto inexplicável é a tentativa de fazer explodir o comboio. Quem e porquê? Aparentemente os habitantes de Bruxelas não pareciam querer acabar com a situação em que viviam.

Também por que razão se passaram tantos anos até que se tenha decidido proceder a um ataque decisivo?

São muitas as interrogações que mereciam resposta, e que deixam o argumento incompleto.

Conclusão

O episódio pode mostrar algum interesse para os admiradores da série Blake e Mortimer. Não porque tenha uma qualidade elevada, designadamente no argumento, mas pela curiosidade de ver um desenhador como Schuiten a trabalhar a série.

Para um iniciado em Blake e Mortimer não é apelativo. Até pode ser incompreensível pelas relações que estabelece com o Mistério da Grande Pirâmide.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Humor curto: Mr Abernathy


Mr Abernathy surgiu em 14 de outubro de 1957, com desenhos de Frank Ridgeway e texto de Bud Jones. A tira que se segue foi publicada na revista Fantasma número 12.

sábado, 5 de dezembro de 2020

Los Gringos


A série Los Gringos foi criada em 1979 pelo argumentista Jean-Michel Charlier e o desenhador Victor  De la Fuente.
O primeiro episódio intitulou-se Viva la revolucion!
É protagonizado por Pete, um perito no manuseamento de matérias explosivas, que faz qualquer coisa para conseguir dinheiro, exatamente o contrário de Chett, um aviador sem grande apego aos bens materiais.
O episódio inicia-se em 1912 num local localizado no Texas a 50 milhas de El Paso. É aí que Pete é obrigado a fugir de um grupo que o persegue. Após o seu cavalo ter morrido, consegue despojar o proprietário de um automóvel do veículo que conduz e é nesse automóvel que se dirige a El Paso onde se encontra com Chett, e os dois, no avião do segundo fogem para o México.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Análise Crítica: Balada para Sophie

 


Obra: Balada para Sophie

Argumento: Filipe Melo

Desenho: Juan Cavia

Cor: Juan Cavia, Sandro Pacuci, Santiago R. Villa

Data da Edição: setembro 2020

Edição cartonada

Editora: Tinta da China

410 páginas- 300 páginas com banda desenhada

Preço: 36,00 €

ISBN: 978-989-671-558-8

Dimensões: 176 x 258 mm

 

Análise

Não são todos os autores que têm o privilégio de escrever um argumento que possa ser contado em 300 páginas. Flipe Melo conquistou-o com todo o mérito devido aos seus trabalhos anteriores.

Conquistou-o e aproveitou bem todas as vantagens que ganhou com essa possibilidade. Conseguiu construir uma história onde as personagens fazem todo o sentido e onde o seu perfil psicológico fica bem estabelecido. Não há ninguém que surja nesta história para fazer número. Todos os intervenientes existem porque eram necessários para a história ser contada. Se não estivessem lá, a história ficava pobre, e mais alguém tornava-se excessivo.

Filipe Melo já tinha demonstrado saber contar uma história longa em Os Vampiros, mas em Balada para Sophie consegue espraiar a ação num longo período, que corresponde a uma vida, sem a tornar numa sequência monótona de factos anedóticos. Todos os acontecimentos estão de acordo com as personagens e confluem na prancha final da obra. E, apesar de a identidade de Sophie poder ser adivinhada algumas páginas antes do fim, Filipe Melo consegue surpreender com a prancha final. Inesperada, mas que no conjunto da obra, se percebe que apenas podia ser aquela.

Desconhecemos a forma como o argumento é construído e o modo como o argumentista se coordena com o desenhador: se apresenta um modelo definitivo, se vai alterando com o decorrer da execução do desenho ou se aceita sugestões do desenhador, mas nota-se uma coerência que só é possível perante um argumento muito bem delineado, seja esse trabalho feito de uma única vez ou vá sofrendo alterações.

A história consegue ser contada com um mínimo de legendas. Estas surgem apenas muito esporadicamente e apenas para identificação do tempo e do espaço. Está-se perante uma história em que o desenho e argumento se complementam, e não um texto ilustrado, como muitas vezes sucede em algums obras devido ao excessivo peso das legendas.

O traço, num estilo caricatural, repete a fórmula já conhecida de desenhar de Juan Cavia, mostrando um trabalho cuidado e com atenção aos pormenores. As fisionomias das personagens estão muito bem estabelecidas, incluindo aquelas que vão envelhecendo com o decorrer da história, e que continuam a ser perfeitamente identificáveis nos diferentes tempos.

Nos cenários das vinhetas Cavia tenta o equilíbrio, conseguido, entre situações em que os pormenores abundam, com outras em que um fundo liso ou minimalista, leva o leitor a concentrar-se no enredo, sem se perder na análise do desenho.

Na organização das pranchas, Cavia não apresenta muitas surpresas, e aqui está-se perante ma das situações, em que não se sabe qual a influência do argumentista, (decisão comum, do desenhador ou do argumentista), com pranchas, na maior parte das vezes com três a cinco vinhetas quadradas ou retangulares, separadas por elipses, com dimensões que permitem a identificação clara de cada vinheta.

No entanto, em algumas páginas, Cavia apresenta vinhetas que ocupam mais de meia página, dando realce a emoções que tomam outra amplitude, na perspetiva do leitor, quando a dimensão da vinheta aumenta. Há duas vinhetas de página dupla que são uma obra-prima, designadamente aquela que representa o delírio de uma das personagens.

No que se refere às elipses existem páginas com fundo preto, em vez do branco das restantes, com a elipse a ser negra e usando uma paleta de cores mais fortes.

Essa quebra de ritmo visual é positiva, ajudando a manter o leitor concentrado.

A escolha da tonalidade, não só do fundo de página, mas das vinhetas, serve também para referenciar, alterações de locais, de tempo  e de sentimentos associados às personagens ou aos atos que são narrados.

Cavia usa mais alguns dos recursos da banda desenhada. Além das características das elipses, existem pranchas onde o desenhador junta as imagens, sem a zona separadora, dando-lhe uma sensação de continuidade que não surge na presença da elipse, o que permite ler a página em diferentes sentidos. Na construção das pranchas usa as vinhetas de menores dimensões para grandes planos, e as de maior dimensões quando quer mostrar planos de conjunto ou planos gerais.

Já no que se refere a signos cinéticos, estes não se encontram na obra, e as onomatopeias são usadas de forma muito moderada. Os formatos dos balões e o tipo de letra usada no seu interior servem para demonstrar emoções das personagens, como gritos ou insultos.

Não usando nesta obra longas sequências de vinhetas sem palavras, nota-se no entanto que Cavia usa esse recurso algumas vezes, levando o leitor a ter que recriar um texto que não existe, numa obrigatoriedade de ler o desenho e a sequência das imagens.

Algum do texto não surge em balões tradicionais. Há caixas que poderemos considerar balões, embora sem apêndice, pois comportam texto em que a personagem narra usando as imagens das vinhetas tempo os factos decorridos. Trata-se de um recurso que o autor usa para colocar a personagem a falar sem o balão tradicional.

Conclusão

Sem dúvida que se está perante uma obra de banda desenhada ou literatura gráfica, para quem prefira estes termos, excelente, numa construção que obriga à leitura comum do desenho e do texto, de tal modo eles se complementam. Espera-se pelo próximo livro desta dupla, pois todos os trabalhos até agora publicados revelam qualidade superior.

Uma leitura que vale a pena fazer.

Uma pergunta final. Para quando a edição com uma gravação da balada?

 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020